Stuck in London: When something bad, becomes something good somehow – by Adrielly Calil

Primrose Hill Short Story Entry


A pandemic is bad, very bad. But somehow, for some people, it may have brought some good things. Some people started studying, others started playing a new instrument. Some realized that going to the office is something that does not make much sense, and other were stranded in a different country, long miles from their homes. In my case, I am the last
person.

My name is Adriélly. I arrived in London on January 20th, for what would be a trip of just 3 months. I came to accompany my boyfriend, who moved here because he got a job.

We came from Brazil, 12 long hours of travel to arrive in the city of the Queen. In the beginning, nobody talked about a pandemic, but we had already read about some virus that was circulating in China. Gel alcohol started to accompany us on all our tours around the city and, when we went to the market, long before this became a recommendation, we already washed the purchases when we got home.

With about 1 month before my return flight, London went into lockdown. What before could even be an exaggeration, has become an obligation and routine. Wash your hands all the time, wear masks, alcohol gel in your pockets, social distance. And, speaking of social distance, all of my family and friends were an ocean away.

Our only way out was the complicated trip to the market. Complicated because we needed to take care that we never imagined before. One hand on your face and that could be enough to get the disease. Despite the fear of leaving, it was also a relief to see the ducks swimming in the Regent’s Canal and to know that there was somehow still life out there, even though the horrific news of more than a thousand deaths a day was haunting the newspapers.

Thousands of flights were canceled around the world, and flight 8084, in this case, mine, was also canceled. It was official: I was stuck in another country in the middle of a pandemic.

The concern was increasing as all the other flights I got were also canceled. After all, my tourist visa wouldn’t last long. And my flight was canceled more than 5 times.

Despite the fear of staying illegally in the country, during the quarantine in London, I studied, worked, played the guitar. And, the main thing, I took the extra time with my boyfriend, a time that I would not have had if the coronavirus had not appeared.

Now I’m leaving, but I hope to return to London one day, without a coronavirus or any other pandemic, but with a residence permit to live in this beautiful city. And I already chose my neighborhood to live in: Primrose Hill.


PORTUGUESE VERSION:
Uma pandemia é ruim, muito ruim. Mas, de alguma forma, para algumas pessoas, ela pode ter trazido algumas coisas boas. Algumas pessoas começaram a estudar, outras começaram a tocar um novo instrumento.

Algumas perceberam que ir ao escritório é algo que não faz tanto sentido e outras ficaram presas em um país diferente, há longas milhas de suas casas. No meu caso, eu sou a última pessoa.

Meu nome é Adriélly. Cheguei em Londres em 20 de janeiro, para o que seria uma viagem de apenas 3 meses. Vim acompanhar meu namorado, que se mudou para cá pois conseguiu um emprego.

Viemos do Brasil, 12 longas horas de viagem até chegar na terra da Rainha. No começo, ninguém falava em pandemia, mas já tínhamos lido sobre algum vírus que estava circulando na China. Álcool em gel passou a nos acompanhar em todos nossos passeios pela cidade e, quando íamos ao mercado, muito antes de isso se tornar uma recomendação, já lavávamos as compras ao chegar em casa.

Faltando cerca de 1 mês para meu voo de volta, Londres entrou em lockdown. O que antes poderia até ser um exagero, se tornou obrigação e rotina. Lavar as mãos o tempo todo, usar máscaras, álcool em gel nos bolsos, distanciamento social. E, por falar em distanciamento social, todos os nossos amigos e familiares estavam à um oceano de distância.

Nossa única saída por aqui era a complicada ida ao mercado. Complicada por que precisávamos tomar cuidados que jamais imaginávamos antes. Uma encostada da mão no rosto e isso poderia ser o suficiente para contrair a doença. Apesar do medo ao sair, também era um alívio ver os patos nadando no Regent’s Canal e saber que ainda existia, de alguma forma, vida lá fora, ainda que as notícias horríveis de mais de mil mortes por dia estivessem assombrando os jornais.

Milhares de voos foram cancelados pelo mundo, e o voo 8084, no caso, o meu, também foi. Era oficial: eu estava presa em outro país no meio de uma pandemia. A preocupação foi aumentando conforme todos os outros voos que eu conseguia, também eram cancelados. Afinal, meu visto de turista não duraria muito. E meu voo foi cancelado mais de 5 vezes.

Apesar do medo de ficar ilegalmente no país, durante a quarentena em Londres, estudei, trabalhei, toquei guitarra. E, o principal, aproveitei o tempo a mais com meu namorado, um tempo que eu não teria caso o coronavírus não tivesse aparecido.

Agora estou indo embora, mas eu espero voltar para Londres um dia, sem
coronavírus ou qualquer outra pandemia, e sim com uma permissão de residência para viver nesta linda cidade. E eu já escolhi meu bairro para morar: Primrose Hill.

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